
Pacientes que convivem com a psoríase em placas, uma condição dermatológica crônica que impacta significativamente a qualidade de vida, têm uma nova e promissora alternativa de tratamento: o tildrakizumabe. Este medicamento recebeu a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso no Brasil em novembro de 2023, marcando um avanço importante no manejo da doença. Desde sua aprovação, o tildrakizumabe passou a ter cobertura obrigatória tanto pelos planos de saúde quanto pelo Sistema Único de Saúde (SUS), desde que haja uma prescrição médica adequada.
A psoríase em placas é caracterizada por lesões avermelhadas, descamativas e inflamadas na pele, frequentemente acompanhadas de coceira e desconforto intensos. O tildrakizumabe atua como um inibidor da interleucina-23 (IL-23), uma citocina que desempenha um papel central nos processos inflamatórios e imunológicos que desencadeiam a psoríase. Ao modular a ação dessa citocina, o medicamento contribui para o controle dos sintomas, promovendo uma melhora notável na saúde da pele e no bem-estar geral dos pacientes.
O rol da ANS após o julgamento do STF. Em 18/09/2025, no julgamento da ADI 7.265 (rel. Min. Luís Roberto Barroso), o Supremo Tribunal Federal validou, com interpretação conforme a Constituição, a Lei nº 14.454/2022, que alterou a Lei nº 9.656/98. Hoje, a cobertura de tratamento fora do rol depende de cinco requisitos cumulativos: (i) prescrição por médico ou odontólogo habilitado; (ii) inexistência de negativa expressa da ANS ou de proposta de atualização do rol pendente de análise; (iii) ausência de alternativa terapêutica adequada no rol; (iv) comprovação de eficácia e segurança com base em medicina baseada em evidências de alto nível; e (v) registro na Anvisa. É com base nesses critérios que a negativa da operadora deve ser examinada no caso concreto (ConJur).
Antes de sua chegada ao Brasil, o tildrakizumabe já havia sido reconhecido e aprovado por outras importantes agências reguladoras internacionais, como a FDA (Food and Drug Administration) nos Estados Unidos e a EMA (European Medicines Agency) na União Europeia, reforçando seu perfil de segurança e eficácia no tratamento da psoríase em placas moderada a grave em adultos. Embora o preço exato de venda no Brasil ainda estivesse sendo estabelecido devido à sua recente aprovação, o valor internacional do medicamento sugere que se trata de uma terapia de alto custo, o que realça a importância da cobertura pelos sistemas de saúde.
A Cobertura Obrigatória por Planos de Saúde e SUS
Diante da recomendação médica para o uso de tildrakizumabe, o paciente possui o direito de receber o medicamento. A legislação que rege os planos de saúde no Brasil é clara: a partir do momento em que um medicamento obtém registro sanitário na Anvisa, ele passa a ter cobertura obrigatória pelas operadoras. Este é o principal critério legal para a garantia do fornecimento.
Não importa se o tildrakizumabe ainda não foi incluído no Rol de Procedimentos e Eventos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). É fundamental entender que o Rol da ANS não é uma lista exaustiva do que os planos de saúde devem cobrir, mas sim um elenco mínimo de coberturas prioritárias. A lei permite expressamente que a cobertura seja ampliada sempre que a recomendação médica for embasada por respaldo técnico-científico, como é o caso do registro sanitário concedido pela Anvisa, que só ocorre após rigorosa análise de estudos de eficácia e segurança do medicamento.
O Sistema Único de Saúde (SUS) também tem o dever de fornecer o tildrakizumabe. Para obtê-lo pelo SUS, no entanto, geralmente é necessário que o paciente demonstre não ter condições financeiras de arcar com o custo do tratamento. Além disso, o médico deve apresentar um relatório clínico detalhado, explicando que não existem medicamentos igualmente eficazes já disponibilizados pelo SUS para o caso específico do paciente. Essa comprovação assegura que o tildrakizumabe é a opção mais adequada para aquela condição.
Superando a Recusa: Seus Direitos na Justiça
Não é incomum que tanto planos de saúde quanto o SUS recusem o fornecimento de medicamentos de alto custo como o tildrakizumabe. As operadoras de saúde frequentemente alegam a falta do medicamento no rol da ANS como justificativa. O SUS, por sua vez, pode indicar a existência de outras opções para psoríase em placas já inclusas na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename). Contudo, ambas as justificativas podem ser questionadas e superadas judicialmente.
Se você receber uma negativa, é crucial saber que buscar seus direitos pela via judicial é uma medida legítima e muitas vezes necessária. Para isso, contar com o apoio de um advogado especializado em direito da saúde é essencial. Esse profissional terá o conhecimento para avaliar as nuances do seu caso, orientar sobre a documentação necessária, como um relatório médico detalhado que comprove a urgência e a imprescindibilidade do medicamento para seu tratamento, e a própria carta de negativa do plano ou do SUS.
A urgência que a psoríase em placas moderada a grave exige, especialmente quando há prejuízo significativo à qualidade de vida, pode permitir que a ação judicial seja movida com um pedido de liminar. A liminar é uma decisão provisória, concedida em caráter de urgência, que pode determinar que o plano de saúde ou o SUS forneça o medicamento imediatamente, antes mesmo que o processo chegue ao seu final. Embora provisória, essa decisão é fundamental para garantir o acesso rápido ao tratamento.
É importante ter em mente que, em qualquer processo judicial, não é possível garantir um resultado de "causa ganha" de antemão, pois o desfecho depende de uma análise judicial individualizada de cada caso. No entanto, a existência de diversas decisões favoráveis em situações semelhantes demonstra a viabilidade de se obter o medicamento por essa via. Um advogado especialista em direito da saúde poderá analisar as particularidades da sua situação e apresentar as reais chances de sucesso, oferecendo a segurança necessária para buscar o que é seu por direito.
Navegar pelo sistema de saúde e garantir o acesso a tratamentos inovadores pode ser complexo. Se você ou alguém que você conhece está enfrentando barreiras para obter o tildrakizumabe ou outros medicamentos essenciais para a psoríase ou qualquer outra condição de saúde, buscar orientação jurídica especializada é um passo fundamental. Conhecer seus direitos e ter o respaldo de um profissional capacitado é o melhor caminho para assegurar o acesso ao cuidado que você merece e precisa.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a análise individual do seu contrato e dos seus documentos por um advogado.